Há exatamente 95 anos, nascia em Santa Maria o jornalista, funcionário da justiça, escritor e teatrólogo Edmundo Cardoso. Sua vida girou, especialmente, em torno do jornalismo e da arte cinematográfica e teatral. Em 1911, o tipógrafo Etelvino Cardoso, pai de Edmundo, foi chamado de Alegrete para Santa Maria para a fundação do jornal Diário do Interior, tendo assim elaborado a sua primeira edição. O jornal localizava-se no mesmo prédio do Theatro Treze de Maio, onde mais tarde abrigou o Centro Cultural Santamariense e a Biblioteca Pública Municipal (hoje o prédio é ocupado novamente pelo Theatro Treze de Maio). Durante a infância humilde, Edmundo morou nos fundos deste mesmo jornal e trabalhou como engraxate e vendedor de loteria. Em 1932 diplomou-se no Curso de Guarda-Livros no antigo Colégio Fontoura Ilha. A partir de 1933, ingressou no Diário do Interior e algum tempo depois, de forma concomitantemente (e inusitada também), passou a escrever artigos assinados para o jornal A Razão. Nas décadas de 1970 à 1980 foi cronista na Rádio Imembuí com um programa diário em que abordava temas do cotidiano dos santa-marienses. Em fevereiro de 1964 assumiu a direção do jornal A Razão, liderança esta que exerceu até 1965. Sua contribuição para o desenvolvimento do teatro e cinema em Santa Maria deu-se, principalmente, através da criação de duas importantes instituições: em1943 a Escola de Teatro Leopoldo Fróes, formada por um grupo de amadores a escola encenou mais de 40 peças teatrais; e em 1951, com o apoio de outras personalidades fundou o Clube de Cinema de Santa Maria, que promovia a exibição de filmes seguidos de debates entre os associados. Sua produção intelectual constitui-se de artigos, crônicas  e cinco livros, sendo que um deles foi publicado em 2008, quase seis anos após o seu falecimento.  O reconhecimento pela sua contribuição a arte e cultura da cidade veio através de várias homenagens recebidas. Morreu aos 85 anos, deixando para a sua cidade natal um grande legado cultural. Os materiais arquivísticos, bibliográficos e museológicos custodiados pela “Casa de Memória Edmundo Cardoso”, antiga residência de Edmundo e de seus familiares, representam de forma concreta todas as ações realizadas por ele, assim como a sua enorme dedicação em guardar e preservar documentos que registram as atividades de instituições, trajetórias de personalidades atuantes no cenário histórico-cultural e acontecimentos que influenciaram no desenvolvimento do município de Santa Maria. Alguns desses materiais foram doados por amigos e moradores da cidade, conscientes de que parte da memória da cidade estaria em “boas mãos”.  Gilda May Cardoso, filha de seu primeiro casamento com a atriz e educadora Edna Mey Cardoso, e Therezinha de Jesus Pires Santos, com quem casou-se em 1985 e que foi sua companheira por quase duas décadas, empenham-se desde 2002 na coordenação da instituição cultural que leva o seu nome. As duas são as responsáveis pela custódia, organização e preservação dos materiais reunidos por Edmundo e prestam serviços à comunidade através do atendimento aos pesquisadores e interessados em conhecer um pouco mais sobre a história da cidade. O respeito e a admiração pela paixão de Edmundo Cardoso, assim como pela sua trajetória, juntamente com a consciência da importância da preservação da história de Santa Maria, fazem com que as atividades e os serviços oferecidos pela instituição mantenham-se ativos. (por Greta Dotto).

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